pensamentos suicidas #1

Estou mesmo farta, mesmo cansada e não é dos outros... É mesmo de mim! De me sentir assim, de não me conseguir controlar e por mais que saiba que dá sempre merda, acabo por me aproximar das pessoas. Juro que não tinha pensamentos suicidas à muito tempo e até à tempos atrás sinto-me pior. As vezes que ia sendo atropelada, tinha uma voz dentro de mim a dizer-me 'porque não te deixaste estar?', quando como há sempre algo que me diz 'não comas, destrói-te'. Acho que o que quero é distrair-me e arranjar algo que me ocupe a 100% de forma a não ter tempo sequer de pensar em mim e no que possa sentir, que esteja tão entretida a 'destruir-me' que não penso sequer nos outros e nas merdas que me acontecem todos os dias com toda a gente. Aprendi que não tenho jeito de me habituar à dor, porque dói e dói sempre de forma diferente e num sitio diferente e o corpo é tão grande que há mil dores que me dão. Mas no fim de tudo, sinto-me feliz comigo, porque tenho conseguido mostrar a toda a gente que estou feliz. O problema é mesmo quando estou em casa, ou sozinha. Sinceramente, não me sinto mal de me sentir destruída, sinto-me mal de não me sentir amada e sentir-me praticamente sozinha. Sei que sozinha não estou, mas não tenho quem mais amo do meu lado. É sobretudo isso que me destrói. Antes de qualquer atropelamento, de qualquer dor física, de não comer, de correr até não aguentar em pé, o que me destrói de verdade é a falta de apoio. Brinco com o 'forever alone' gozando comigo mesma, mas só queria pedir que alguém olhasse por mim.
E quando me disseram 'Estás mesmo feliz, Inês, isso nota-se à distância!' acabei por não saber se o que me invadia era amor e por isso estava feliz ou se era porque tinha alguém que de minuto a minuto me mandava mensagem e se preocupava comigo e isso me fazia bem. Sinceramente, só queria um pouco mais de atenção sem que me sufocassem, um pouco mais de amor.

11 comentários:

Diogo Gonçalves disse...

o texto é um pouco pessoal de mais para que possa fazer um comentário, mas, sei exactamente, ou aproximadamente, até porque, infelizmente, passo pelo mesmo.

AnaM. disse...

E não é o que temos queremos, um pouco de amor?
Adoro!

c. disse...

percebo-te tão bem

andrii disse...

querida, eu sei tão bem o que estás a sentir neste momento... passei pelo mesmo. e não foi nada nada fácil sair do escuro onde me encontrava... lembro-me de uma vez me ter atirado para a frente de um carro, quase inconscientemente... o carro parou a tempo, e eu só pensei "porquê?!". mas garanto que passou. e contigo também passará! sei que agora parece impossível que as coisas melhorem, mas hão-de melhorar. tudo irá ficar bem! tenho a certeza. e se precisares de alguma coisa, já sabes <3

Inês disse...

Muito obrigada, Inês :)

Diogo Gonçalves disse...

pensamentos suicídas, homicidas, num sentido diferente de "homem mata mulher com faca" [ou assim], mais de culpa pela morte de outros...

bom, sim, gosto bastante de touradas

c. disse...

muito obrigada *-*

Emilie Lorena disse...

Retratas na perfeição aquilo que sinto. Adorei a forma como escreves!

Carolina Durães disse...

obrigada doce :)
ódeio o título desta postagem!

andrii disse...

muito obrigada, doce.
e olha, não me agradeças, não precisas.
e reli agora o teu texto, a digo-te: come. não deixes de comer, está bem? e não corras até não te conseguires aguentar em pé. já fiz isso, e acredita, as coisas não ficaram bonitas. é um ciclo vicioso difícil de se deixar, mas quanto mais depressa lutares por ti, mais fácil e rapidamente voltarás a sorrir. acredita em mim, sei do que falo, princesa. força! <3

Raquel disse...

É muito sobre ti este texto, e dá para perceber que não estás mesmo nada bem.. mas quero que saibas que podes confiar e desabafar comigo se precisares. Gosto de ouvir as outras pessoas e dar-lhes a minha opinião sobre os problemas, por isso se necessitares, não hesites. Às vezes desabafar com "estranhos" é melhor do que fazê-lo com amigos, visto que estes não nos vão julgar e vão sempre estar de fora para opinar. sê forte princesa*